uma folha caída sobre o inverno

um novo texto todas as terças, quintas e sábados.

há cerca de três anos escrevi o primeiro de cinquenta e cinco contos que viriam a compor aquele que seria o meu primeiro livro: o descompasso de um peito desfeito. um ano depois do seu término reencontro-me com as suas páginas e todas as palavras me surgem inquietantemente diferentes, mas, ainda assim, minhas. é por essa razão que abro mão de uma desadequada publicação em papel e as partilho aqui, convosco. aguardarei todos os vossos comentários com curiosidade e comoção. desejo-vos uma boa leitura. obrigado.




biografias

Mas a quem pertence o direito de resumir a nossa vida a um pedaço de texto? Quem pode afinal escrever meia dúzia de linhas sobre o que fomos, como vivemos, o que vivemos?
Biografias...
Raiva de tudo o que fica: "Nasceu no ano de 1987, morreu em 2005." E lá por o meio? "Estudou, viveu, não se sabe se sorriu." Claro que sorri! E aqueles pequenos momentos? Um olhar cruzado, um sentimento só meu, aquelas coisas do meu eu, (ou do nosso). As noites em que até saí, os dias que até me diverti. Os minutos que até fui feliz, os segundos em que até senti. E esses momentos, não se escrevem!?
Biografias...







a(margu)ra

Quem diria que a felicidade se pode encontrar nos momentos de maior amargura.

Andava eu a ver os CD's passearem-se por aquela rua caricata, quando reparei que as canetas faziam uma revolução à porta do bar dos pincéis, e digo para mim mesmo: "Ah, que giro." (com toda aquela expressividade que me é inerente). Posto isto, ainda me sentia apto para observar que o céu se pintava de um laranja suave e as nuvens tomavam a forma de animais: e entenda-se por animais, bichos com patas.

Divagações tão minhas, tão de ser feliz e sem sentido. Esquece a amargura, porque agora estou no meio, estou bem.
Estou tão bem contigo.