há cerca de três anos escrevi o primeiro de cinquenta e cinco contos que viriam a compor aquele que seria o meu primeiro livro: o descompasso de um peito desfeito.
um ano depois do seu término reencontro-me com as suas páginas e todas as palavras me surgem inquietantemente diferentes, mas, ainda assim, minhas.
é por essa razão que abro mão de uma desadequada publicação em papel e as partilho aqui, convosco. aguardarei todos os vossos comentários com curiosidade e comoção.
desejo-vos uma boa leitura. obrigado.
quebra.
é sempre a noite a iniciar as palavras,
a pesar no dorso e a quebrar a coluna.
é sempre um olhar incompleto sobre
o céu escuro e uma mão quebrada
que principia a cadência da voz até
que toda a música silencie, quieta.
é sempre no leito de morte que
chovem todas as verdades, como
pedras. depois, estendida no chão,
overdose de
epifanias, vejo o mundo
nascer de novo e o sol é afinal
nevoeiro.